Presidente foi fotografado sorrindo e, aparentemente, sem crises de soluço logo após visita de Tarcísio Gomes de Freitas; Carlos Bolsonaro cogitou levar o pai ao hospital
Jair Bolsonaro foi fotografado nesta segunda-feira (29) em uma condição totalmente oposta àquela descrita por seus filhos e aliados. Ao contrário dos relatos de que estaria debilitado, o ex-presidente apareceu sorrindo e aparentemente saudável na porta de sua mansão em Brasília, onde cumpre prisão domiciliar, logo após receber a visita do governador de São Paulo, Tarcísio Gomes de Freitas.
O próprio governador, ao deixar a casa de Bolsonaro, disse que o ex-presidente está com a saúde fragilizada e com crises de soluço.
“A gente conversando e ele soluçando o tempo todo… o presidente ali, lutando, tirando força. Estamos aqui para prestar nosso apoio”, declarou o mandatário estadual.
Jair Bolsonaro após visita de Tarcísio Gomes de Freitas (Foto: Gabriela Biló/Folhapress)
Nos últimos dias, a descrição do estado de saúde de Bolsonaro, por parte de aliados, foi na mesma linha. Paulo Figueiredo, neto do ditador João Figueiredo e braço-direito de Eduardo Bolsonaro em sua conspiração contra o Brasil nos Estados Unidos, por exemplo, chegou a dizer que o ex-presidente está tão debilitado que seria “incapaz” de promover qualquer articulação para evitar o início do cumprimento de sua pena de 27 anos de prisão pela qual foi condenado.
As imagens que mostram Bolsonaro com aparente boas condições físicas chamaram a atenção de usuários das redes sociais. Principalmente pelo fato de que, poucas horas após as imagens virem à tona, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) relatou que seu pai teria apresentado piora em seu estado de saúde, cogitando até mesmo levá-lo a um hospital.
“Estou com minha família avaliando a necessidade de levar meu pai novamente ao hospital. Ele enfrenta uma crise de soluços acompanhada de quatro episódios de vômito, que ele mesmo descreveu como os mais intensos até agora”, escreveu Carlos, pedindo orações pelo seu pai.
Internautas, então, usaram o espaço de comentários da publicação para questionar se Bolsonaro, de fato, está de fato debilitado como seus filhos vêm relatado, com fotos do ex-presidente sorrindo ao lado de Tarcísio após a visita desta segunda-feira.
“Olha que saúde, dá pra ir pra Papuda!”, escreveu um usuário da rede social, em meio a vários comentários do tipo. Confira:
Há mais de 200 anos, na cidade francesa de Lyon, nascia Hippolyte Léon Denizard Rivail (1804-1869).
Décadas depois, ele ficaria mais conhecido por seu pseudônimo, Allan Kardec, e fundaria o espiritismo.
Provavelmente nem Kardec nem seus contemporâneos poderiam imaginar que, no século 20, a religião floresceria fortemente não na França, mas do outro lado do Oceano Atlântico — no Brasil.
“Embora a França seja o berço do Allan Kardec, o francês médio não sabe que o que é espiritismo”, resume o palestrante e escritor espírita Ricardo Ribeiro Alves, em entrevista à BBC News Brasil.
Especialistas dizem que é difícil precisar quantos espíritas existem no mundo, mas parece consenso a constatação de que o Brasil se tornou o país onde o espiritismo mais “deu certo”.
Segundo o filósofo e antropólogo Bernardo Lewgoy, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), poucos países registram essa corrente religiosa em seus censos e algumas estimativas incluem simpatizantes e frequentadores ocasionais.
O Conselho Espírita Internacional opta por consolidar estimativas fornecidas pelas federações de cada país. O dado mais recente afirma que há 13 milhões de adeptos do espiritismo no mundo.
Já o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) registra o número de espiritas no Brasil desde 1940.
Dados do Censo mais recente, de 2022, constataram que 3,18 milhões de brasileiros seguem o espiritismo — 1,8% da população. A contagem considera pessoas com mais de 10 anos.
Apesar dos números relevantes, a fatia ocupada pelos espíritas no Censo diminuiu em relação ao levantamento de 2010, quando eles representavam 2,2% da população brasileira — e um total absoluto de 3,56 milhões de adeptos.
Entretanto, segundo a Federação Espírita Brasileira, há 30 milhões de brasileiros que simpatizam com a doutrina espírita, mas declaram ter outras religiões.
Embora o cenário recente seja de queda no número de espíritas contabilizados no Brasil, por que o espiritismo deu tão certo aqui e nem tanto em outros países, inclusive na França? E o que explica a considerável queda na última década no Brasil?
Da hostilidade católica à popularização no Brasil
Crédito,Felix Lima/BBC
Legenda da foto,O Livro dos Espíritos lançou as bases de religião criada por Kardec
O pedagogo, professor e tradutor Hippolyte Léon Denizard Rivail inicialmente reagiu com ceticismo às “mesas girantes”, encontros mediúnicos que eram moda na França daquele tempo.
Mas, curioso, ele passou a frequentar tais reuniões — e começou a se convencer de os espíritos realmente estavam se comunicando ali.
Em 1857, ele lançou O Livro dos Espíritos, obra que fundamentou as bases do espiritismo. Kardec, no entanto, não acreditava ter criado uma religião, e sim “codificado” a obra dos espíritos através de um método científico.
Ele colocava perguntas sistemáticas aos espíritos e a compilava o que seria essa comunicação. Portanto, colocou no papel observações sobre acontecimentos que já aconteciam antes, como sessões com médiuns e relatos de manifestações de espíritos.
Em sua obra, o francês aglutinou os valores da religiosidade cristã, da ciência e da filosofia daquela Europa do século 19.
No Brasil, o espiritismo teve como marco de chegada 17 de setembro de 1865, há 160 anos.
Naquele dia, ocorreu a primeira sessão espírita no Brasil, em Salvador, liderada pelo jornalista Luís Olimpio Teles de Menezes (1828-1893).
Crédito,DOMÍNIO PÚBLICO
Legenda da foto,Kardec não acreditava ter criado uma religião mas ‘codificado’ a obra dos espíritos através de um método científico
De acordo com Lewgoy, o frisson inicial ocorreu entre integrantes da elite urbana letrada, principalmente “católicos não dogmáticos”.
“Nesse período, o espiritismo era visto pela Igreja [Católica] mais como uma filosofia ameaçadora do que como um concorrente religioso”, afirma Lewgoy, autor do livro O Grande Mediador: Chico Xavier e a Cultura Brasileira.
Mas havia hostilidades por parte da dominante Igreja Católica: mesmo de base cristã, os espíritas acreditam em reencarnação e em comunicação com os mortos — crenças que vão de encontro ao catolicismo.
Em um primeiro momento, os dogmáticos católicos aproximaram os kardecistas dos praticantes de religiões africanas — que eram profundamente estigmatizados no século 19.
No entanto, algumas características da prática espírita no Brasil facilitaram sua aceitação, como seu contorno supostamente científico e os privilégios educacionais e sociais da elite branca que predominou entre seus primeiros seguidores.
Nas cinco décadas seguintes à sua chegada, o espiritismo passou a ser reconhecido pela população mais ampla — mais uma vantagem em um ambiente jurídico hostil, ainda dominado pelo catolicismo, de acordo com Lewgoy.
O espiritismo consolidou suas raízes no Brasil com a criação de instituições, a prática de oferecer assistência social e a popularização de livros escritos por médiuns (termo criado por Kardec para designar os “intermediários” entre os vivos e os mortos).
E aí, veio o boom, o crescimento acelerado. Para Lewgoy, isso ocorreu entre 1970 e 2010.
A primeira amostragem do Censo a identificar espíritas registrou 460 mil adeptos em 1940 — saltando para 3,8 milhões em 2010. Foi um avanço de mais de 720%. A população brasileira aumentou nesse período também, mas em menor escala, de 360%.
“Houve uma penetração nas classes médias urbanas, uma sincretização com religiosidades populares e uma concorrência direta com o catolicismo em declínio. A estratégia foi ocupar o vácuo deixado pelos católicos, oferecendo uma forma de modernidade religiosa para as classes médias em ascensão”, avalia o antropólogo.
De acordo com ele, com o avanço da urbanização no país, funcionários públicos, professores, militares e profissionais liberais das classes nas cidades encontraram no espiritismo uma “religiosidade ao mesmo tempo ‘moderna’ e ‘respeitável’, distinta do catolicismo oficial mas não revolucionária socialmente”.
Além disso, o espiritismo foi visto como uma alternativa “racional” e “científica” aos dogmas católicos tradicionais, acrescenta ele.
“O espiritismo brasileiro conseguiu conciliar elementos aparentemente contraditórios: ciência e religião, tradição e modernidade, nacionalismo e universalismo, erudição e popularização. Essa plasticidade foi decisiva para seu enraizamento”, aponta Lewgoy.
Autora do livro Afinal, Espiritismo é Religião?, a historiadora e socióloga Célia da Graça Arribas, professora na Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), lembra que há até termos que brincam com a adaptação bem-sucedida do espiritismo a um país predominantemente católico, como a existência de pessoas “espiritólicas” ou “catoespíritas”.
Ela destaca ainda a mistura do espiritismo com crenças afrobrasileiras, sobretudo a umbanda, e o surgimento de líderes espíritas que contribuíram para “popularizar e tornar nacional a doutrina”.
Médiuns famosos como Chico Xavier (1910-2002), Bezerra de Menezes (1831-1900) e Divaldo Franco (1927-2025) conseguiram de certa forma “abrasileirar” o espiritismo.
O palestrante e escritor espírita Ricardo Ribeiro Alves também destaca o sincretismo religioso presente no país e como o espiritismo prosperou nesse terreno.
“Um país como o nosso tem antepassados europeus que trouxeram a Igreja Católica, antepassados negros que da África trouxeram as religiões e os rituais de origem africana, e também a presença do indígena com seus rituais próprios”, contextualiza.
Por conta da diferença entre a religião criada por Kardec e suas transformações e interseções com outras religiões no Brasil, é comum que pesquisadores usem o termo “kardecismo”, em vez de “espiritismo”, para se referir ao espiritismo nascido na França.
No resto do mundo
Crédito,Getty Images
Legenda da foto,‘Mesa girante’ em Leipzig; em países como a Alemanha, sucesso do espiritismo esbarrou no domínio protestante
A doutrina religiosa, contudo, não floresceu com a mesma força em outros países.
Na França, tanto o “laicismo republicano” quanto a “força da Igreja Católica” acabaram por inibir “o desenvolvimento de um espiritismo de massas como o brasileiro”, aponta Lewgoy.
Lá, os adeptos continuaram sendo um grupo restrito de intelectuais e membros da elite.
Já em países como Alemanha, Inglaterra e Estados Unidos, o espiritismo se deparou com o domínio protestante.
“Não havia o mesmo contraste com um catolicismo dominante que, no Brasil, serviu de impulso para o seu crescimento”, diz o professor da UFRGS.
Outros países católicos, contudo, são lugares de Igreja mais controladora. É o caso de Itália, Espanha e Portugal.
Nesses lugares, não houve o florescimento — mesmo que sob repressão — de diferentes práticas religiosas como no Brasil, nem o sincretismo que acabou abrindo espaço para a convivência entre crenças e culturas diversas.
Aqui, apesar do controle religioso católico ter sido uma marca desde o início da colonização portuguesa, mesmo no meio dito católico outras práticas conviveram e ainda convivem.
Se já havia espaço e tolerância para benzedeiras, toda a sorte de simpatias e um catolicismo popular não ortodoxo, o espiritismo também conseguiu grassar.
Mesmo em países latino-americanos de história colonial similar à do Brasil, o espiritismo não pegou da mesma forma.
Para Lewgoy, isso ocorreu porque esses lugares não tiveram as condições específicas que favoreceram o espiritismo no Brasil, como o diálogo com o catolicismo popular aberto ao sincretismo e a rapidez em sua institucionalização.
E também o fato de que, em outros locais na região, o espiritismo acabou sendo fortemente rotulado como “bruxaria” ou “ocultismo”.
Declínio no Brasil?
De 2010 para cá, os espíritas no Brasil caíram 0,4 pontos percentuais em sua participação no total da população, o que representa cerca de 400 mil praticantes.
Para Lewgoy, o espiritismo está atualmente enfrentando uma “concorrência tripla”: a expansão dos evangélicos; a legitimação das religiões afro-brasileiras (ou seja, o seu reconhecimento, aceitação e valorização em certas camadas da sociedade); e a secularização individualista (processo em que a religião se torna menos central na sociedade, que também passa a valorizar cada vez mais o indivíduo em detrimento de vivências coletivas).
“Por muito tempo, essas pessoas se declaravam espíritas porque havia a ideia de se dizer ‘espiritismo de umbanda’. Com todo esse debate mais recente de ampliação do letramento racial [maior conhecimento e consciência sobre questões raciais e sobre racismo] e do orgulho que isso gera, essas pessoas têm se identificado mais claramente como umbandistas ou candomblecistas”, afirma a professora.
De acordo com o Censo, pessoas que se afirmam praticantes da umbanda e do candomblé saltaram de 0,3% para 1,1% entre 2010 para 2022.
Arribas também avalia que faltam figuras para ocupar o espaço de lideranças carismáticas como Chico Xavier. Essa lacuna acaba se espelhando na indústria cultural, com menor presença do espiritismo em filmes e novelas, aponta.
“A gente tem assistido a uma influência evangélica nesse sentido.”
Por fim, Arribas ainda lembra do cenário político atual de polarização no Brasil.
“O avanço do bolsonarismo e da ultradireita expulsou muita gente do espiritismo. Muita gente ficou insatisfeita com posições retrógradas e conservadoras do espiritismo”, comenta ela, destacando que pautas vistas como “de direita”, como aquelas relativas ao gênero e ao aborto, acabam sendo bandeiras de políticos espíritas.
Como essas pautas vão ao encontro da doutrina espírita mais tradicional, muitos espíritas se identificam com esse espectro político.
Crédito,VALTER DE PAULA/EM/D.A PRESS
Legenda da foto,Médiuns famosos como Chico Xavier (1910-2002) ajudaram a popularizar o espiritismo no Brasil; entretanto, especialista aponta para a falta de ‘sucessores’
Para Lewgoy, o espiritismo brasileiro vive um momento de invenção de “um novo modelo de religiosidade para o século 21”, com “menos fiéis e mais influência, menos instituições de massa e mais impacto cultural”.
“O Censo 2022 mostra que o espiritismo brasileiro está vivendo não uma crise, mas uma metamorfose civilizacional”, argumenta ele.
Para o professor, o que está mudando é que a religião está deixando de ser nacional e popular, e voltando a ser mais restrita às elites intelectuais, artísticas e profissionais.
“Os espíritas apresentam a maior taxa de ensino superior completo [48%, versus 16% da média nacional, segundo o IBGE], a menor taxa de analfabetismo [1%, versus 6% da média] e o maior percentual de acesso à internet [96%]”, cita.
“Controlam um mercado editorial de centenas de editoras e milhares de títulos. Lideram hospitais, instituições assistenciais e redes midiáticas. Influenciam o vocabulário nacional”, diz, mencionando termos como “carma”, “mediunidade” e “evolução espiritual”.
Ainda de acordo com o antropólogo, o espiritismo pode estar “antecipando tendências pós-seculares da religiosidade contemporânea”, com maior ênfase nas experiências individuais e na convergência com a ciência.
“Isso não significa que se torne a religião dominante numericamente, mas que influencie as demais com seus valores e práticas. É possível que no futuro as religiões convencionais adotem mais elementos como caridade prática, ecumenismo, diálogo com a academia e interpretação espiritualista da Bíblia, aproximando-se do ethos espírita”, diz.
Pesquisa aponta aumento nas buscas por voos e hospedagem, reforçando o potencial turístico da cidade fora do verão
Secom Maceió
Com suas belezas naturais e infraestrutura que melhora a cada dia, Maceió atrai turistas o ano inteiro, tendência que ganha força nos meses de setembro a novembro que antecedem os picos do verão. Dados recentes do metabuscador KAYAK indicam que essa janela — que vai de 1º de setembro a 15 de novembro de 2025 — tem apresentado movimento ainda mais intenso de procura por viagens, reforçando o potencial de Maceió como destino atrativo às vésperas da temporada mais quente e movimentada do ano.
O levantamento mostra sinais claros de aquecimento do mercado: as pesquisas por voos internacionais cresceram 13% em comparação com o mesmo período do ano anterior, e as buscas gerais por acomodação (doméstica e internacional) subiram 6%. Além disso, Maceió figura como 6º destino mais buscado para voos e 3º destino mais buscado para hospedagem, evidenciando a força da capital alagoana entre os turistas nessa época.
Viajar nos meses que antecedem o verão traz vantagens importantes, como menos filas, praias e pontos turísticos movimentados, mas sem estarem lotados, e condições comerciais mais atrativas em hotéis e passeios. O estudo também registrou recuo nos preços médios de hospedagem em diversos destinos, o que torna a temprada pré-verão uma oportunidade interessante para quem busca economia e custo-benefício. Em Maceió, o charme é permanente: praias urbanas como Pajuçara e Ponta Verde continuam sendo destaque, a culinária local segue conquistando visitantes e os passeios às piscinas naturais e ao litoral norte e sul oferecem experiências únicas para diferentes perfis de viajantes.
O crescimento da procura por Maceió nos meses que antecedem o período de maior pico turístico sinaliza um movimento positivo para a economia local, com potencial para gerar emprego e movimentar a renda durante todo o ano. A Prefeitura de Maceió vê nesses dados a oportunidade de fortalecer ainda mais a promoção turística, valorizar a oferta de serviços e estimular pacotes e eventos que distribuam os fluxos de visitantes com mais equilíbrio entre os meses.
Danielle Cândido/Ascom Uncisal 12/09/2025 - 08h 05min Ascom Portugal Ramalho0
Hospital Escola Portugal Ramalho foi selecionado no Edital Calendário Cultural, Memória e Resistência
Projeto “Rota de RExistência” foi aprovado em edital do Programa Nosso Chão, Nossa História e vai promover atividades culturais em territórios afetados pelo afundamento do solo
OHospital Escola Portugal Ramalho (HEPR), da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), foi selecionado no Edital Calendário Cultural, Memória e Resistência, do Programa Nosso Chão, Nossa História, que financia iniciativas voltadas à reparação dos danos extrapatrimoniais causados pelo desastre socioambiental em Maceió.
O projeto aprovado, intitulado “Rota de RExistência”, prevê a realização de ações culturais mensais em bairros atingidos, com oficinas, exposições, saraus e outras atividades de preservação da memória e de fortalecimento dos vínculos comunitários.
De acordo com a coordenadora geral do projeto, Maria Derivalda Andrade, servidora do HEPR, a proposta nasceu da vivência direta de profissionais e pacientes em um território marcado pela dor e pela necessidade de reconstrução.
“Nosso objetivo é fortalecer a cultura considerando a sua importância enquanto ferramenta para fortalecimento de vínculos, preservação da memória e transformação social. Acreditamos que a arte pode elaborar o luto, resgatar identidades e possibilitar a reconstrução de vínculos comunitários”, afirmou.
A iniciativa é fruto da união entre o HEPR, o Instituto para o Desenvolvimento das Alagoas (Ideal) e a Cooperativa de Jornalismo Mídia Caeté, em proposta submetida pela Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão e Pesquisa de Alagoas (Fepesa).
Para a supervisora-geral do HEPR, Helcimara Martins, o projeto Rota de RExistência articula cultura, saúde mental e memória coletiva, promovendo o reencontro das comunidades, a preservação do patrimônio cultural e o acolhimento das pessoas impactadas pelo desastre socioambiental. A proposta inclui ainda, além de outros produtos, a edição de um livro com registros orais, textuais e imagéticos sobre instituições culturalmente importantes para o território, entre elas o próprio HEPR.
Helcimara Martins ressalta que, além das atividades culturais, o projeto contempla o fortalecimento de manifestações tradicionais — como blocos carnavalescos e quadrilhas juninas — e a criação de um Museu-Memorial das vítimas, desenvolvido em cocriação com a comunidade.
“É fundamental registrar e perpetuar as memórias desse território, para que as próximas gerações entendam a dimensão do que aconteceu em Maceió. Esse trabalho é, sobretudo, um gesto de resistência e de justiça”, ressaltou Derivalda.
Ela destacou ainda que a participação do HEPR, instituição localizada na borda da área afetada, é simbólica. Segundo a coordenadora, o hospital carrega em sua trajetória um elo histórico com a cultura e a saúde mental da cidade. “Integrar pacientes, trabalhadores e comunidade em torno da arte é também uma forma de promover saúde integral e dignidade”, completou.
A memória como política institucional
Para Ruth Barros, assessora organizacional do projeto e gestora de planejamento da Coordenação de Ações Estratégicas (CAE) da Uncisal, a aprovação reflete também o esforço institucional de ampliar parcerias e captar recursos para atender demandas da universidade.
“A aprovação do Rota de RExistência mostra como a universidade pode atuar além de seus muros, fortalecendo vínculos comunitários e contribuindo para a reparação simbólica desse território. O CAE tem buscado justamente essa integração entre planejamento, captação de recursos e ações de impacto social”, ressaltou.
Sobre o Programa Nosso Chão, Nossa História
Criado a partir de acordo judicial que responsabilizou a empresa Braskem pelo afundamento do solo em cinco bairros de Maceió, o Programa Nosso Chão, Nossa História destina R$ 150 milhões, ao longo de quatro anos, a projetos de reparação dos danos morais coletivos. O programa é gerido pelo Comitê Gestor dos Danos Extrapatrimoniais (CGDE) e executado pelo UNOPS/ONU, apoiando iniciativas que fortalecem a memória, a identidade e a resistência das comunidades atingidas.