Portugal Ramalho integra calendário cultural de memória e resistência em Maceió
GERALDanielle Cândido/Ascom Uncisal 12/09/2025 - 08h 05min Ascom Portugal Ramalho0
Hospital Escola Portugal Ramalho foi selecionado no Edital Calendário Cultural, Memória e Resistência
Projeto “Rota de RExistência” foi aprovado em edital do Programa Nosso Chão, Nossa História e vai promover atividades culturais em territórios afetados pelo afundamento do solo
OHospital Escola Portugal Ramalho (HEPR), da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal), foi selecionado no Edital Calendário Cultural, Memória e Resistência, do Programa Nosso Chão, Nossa História, que financia iniciativas voltadas à reparação dos danos extrapatrimoniais causados pelo desastre socioambiental em Maceió.
O projeto aprovado, intitulado “Rota de RExistência”, prevê a realização de ações culturais mensais em bairros atingidos, com oficinas, exposições, saraus e outras atividades de preservação da memória e de fortalecimento dos vínculos comunitários.
De acordo com a coordenadora geral do projeto, Maria Derivalda Andrade, servidora do HEPR, a proposta nasceu da vivência direta de profissionais e pacientes em um território marcado pela dor e pela necessidade de reconstrução.
“Nosso objetivo é fortalecer a cultura considerando a sua importância enquanto ferramenta para fortalecimento de vínculos, preservação da memória e transformação social. Acreditamos que a arte pode elaborar o luto, resgatar identidades e possibilitar a reconstrução de vínculos comunitários”, afirmou.
A iniciativa é fruto da união entre o HEPR, o Instituto para o Desenvolvimento das Alagoas (Ideal) e a Cooperativa de Jornalismo Mídia Caeté, em proposta submetida pela Fundação de Apoio ao Ensino, Extensão e Pesquisa de Alagoas (Fepesa).
Para a supervisora-geral do HEPR, Helcimara Martins, o projeto Rota de RExistência articula cultura, saúde mental e memória coletiva, promovendo o reencontro das comunidades, a preservação do patrimônio cultural e o acolhimento das pessoas impactadas pelo desastre socioambiental. A proposta inclui ainda, além de outros produtos, a edição de um livro com registros orais, textuais e imagéticos sobre instituições culturalmente importantes para o território, entre elas o próprio HEPR.
Helcimara Martins ressalta que, além das atividades culturais, o projeto contempla o fortalecimento de manifestações tradicionais — como blocos carnavalescos e quadrilhas juninas — e a criação de um Museu-Memorial das vítimas, desenvolvido em cocriação com a comunidade.
“É fundamental registrar e perpetuar as memórias desse território, para que as próximas gerações entendam a dimensão do que aconteceu em Maceió. Esse trabalho é, sobretudo, um gesto de resistência e de justiça”, ressaltou Derivalda.
Ela destacou ainda que a participação do HEPR, instituição localizada na borda da área afetada, é simbólica. Segundo a coordenadora, o hospital carrega em sua trajetória um elo histórico com a cultura e a saúde mental da cidade. “Integrar pacientes, trabalhadores e comunidade em torno da arte é também uma forma de promover saúde integral e dignidade”, completou.
A memória como política institucional
Para Ruth Barros, assessora organizacional do projeto e gestora de planejamento da Coordenação de Ações Estratégicas (CAE) da Uncisal, a aprovação reflete também o esforço institucional de ampliar parcerias e captar recursos para atender demandas da universidade.
“A aprovação do Rota de RExistência mostra como a universidade pode atuar além de seus muros, fortalecendo vínculos comunitários e contribuindo para a reparação simbólica desse território. O CAE tem buscado justamente essa integração entre planejamento, captação de recursos e ações de impacto social”, ressaltou.





