“Eu quero ter minha independência e poder ir para onde eu quiser”, afirma mulher ao ser aprovada na categoria D da CNH
Alagoas possui 209.963 mulheres habilitadas; 1.103 delas estão nas categorias D e AD
Jamily Correia, de 33 anos, pretende ser motorista de ônibus escolar
Aldia Sampaio/ Ascom Detran
Kamylla Lima/Ascom Detran
À primeira vista, o cenário intimida. No espaço de exames práticos do Departamento Estadual de Trânsito de Alagoas (Detran/AL), homens aguardam a vez para fazer a prova de direção para veículos de grande porte. No meio deles, uma mulher se destaca. Jamily Correia, de 33 anos, é a única representante feminina a fazer a prova para a categoria D da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Em um dia comum, a aprovação dela traz como pano de fundo um cenário maior: o número de mulheres habilitadas em Alagoas ainda é menor do que o de homens.
Ao assumir o volante de um micro-ônibus, a auxiliar administrativa reafirma um desejo antigo: ampliar horizontes. “De primeira, quando eu cheguei aqui, eu achei muito impactante. Até então eles ficavam olhando para você, talvez pensando: ‘O que é que essa mulher tá fazendo aqui? É muito estranho’”, contou. Ainda assim, ela não recuou. Ao contrário. Para Jamily, dar esse passo é também abrir caminho para outras mulheres. “Olhe, eu digo para qualquer mulher que não fique no comodismo e não pense que isso é só do homem. Hoje não tem mais aquele negócio: ‘Ah, isso é só um homem quem faz’. Não. Você tem capacidade suficiente de ir lá e fazer. Tem curiosidade? Vá lá e faça.”
Jamily dirige há sete anos. Ela integra um universo de 209.963 mulheres habilitadas em Alagoas e um grupo ainda mais restrito: 611 mulheres habilitadas na categoria D e 492 na AD, somando 1.103 condutoras nessas categorias. O número total de pessoas habilitadas em Alagoas é de 752.244, dos quais 542.281 são homens. Os dados são referentes a fevereiro de 2026.
A decisão de buscar a categoria D surgiu inicialmente com o plano de sair do país. “Foi uma ideia porque eu pretendia sair do país. Só que eu gostei e tô pretendendo fazer cursos para poder dirigir um ônibus escolar”, explicou. Ela pretendia ir para Portugal e enxergou na habilitação para veículos maiores uma possibilidade de ampliar os horizontes profissionais.
No dia do exame, além de enfrentar o desafio técnico, Jamily também foi avaliada por uma examinadora mulher, o que reforça a presença feminina em diferentes frentes do processo de habilitação. A cena simboliza avanços graduais em um espaço ainda majoritariamente masculino.

