Pesquisadores encontram reserva de água doce submarina que pode abastecer milhões; entenda
Expedição internacional identificou reservas ocultas entre Nova Jersey e Maine, nos EUA. Achado reacende debate sobre soluções para a crise hídrica global.
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Tubo de perfuração é visto sob a plataforma Liftboat Robert, a partir da embarcação de apoio Gaspee, no Atlântico Norte, em 19 de julho de 2025. — Foto: Carolyn Kaster/AP
Há milhares de anos, quando as geleiras começaram a derreter e o nível dos oceanos subiu na região que hoje corresponde ao nordeste dos Estados Unidos, algo inesperado ficou guardado sob o fundo do mar.
Quase 50 anos atrás, um navio do governo norte-americano que buscava minerais e petróleo perfurou o solo marinho para ver o que encontrava. Encontrou algo surpreendente: água doce.
Neste verão do Hemisfério Norte, uma expedição científica global inédita voltou ao local para investigar. Perfurações feitas ao largo de Cape Cod, em Massachusetts, revelaram milhares de amostras de um aquífero subterrâneo que pode se estender de Nova Jersey até o estado do Maine.
É apenas um dos muitos depósitos de “água doce secreta” que se sabe existirem em mares rasos do planeta e que talvez, no futuro, possam ser aproveitados para saciar a sede crescente da humanidade, explica Brandon Dugan, co-chefe científico da missão.
“Precisamos olhar para todas as possibilidades que temos para encontrar mais água para a sociedade”, disse Dugan, geofísico e hidrólogo da Colorado School of Mines, em entrevista à Associated Press durante 12 horas passadas na plataforma de perfuração.
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O sol se põe atrás da plataforma Liftboat Robert, base da Expedição 501, missão científica internacional que perfura o fundo do mar em busca de água doce, no Atlântico Norte, em 19 de julho de 2025. — Foto: AP Photo/Carolyn Kaster
Segundo ele, a equipe buscou água “em um dos últimos lugares onde alguém provavelmente procuraria por água doce na Terra”.
Os cientistas encontraram. E agora vão analisar, nos próximos meses, quase 50 mil litros dessa água em laboratórios espalhados pelo mundo. O objetivo é decifrar sua origem — se veio do derretimento de geleiras, de sistemas subterrâneos conectados ao continente ou de uma mistura dos dois.
O potencial é enorme. Mas também os desafios: extrair essa água, decidir quem seria dono dela, quem poderia usá-la e como fazê-lo sem causar danos à natureza. Mesmo que viável, levar essa água à costa para uso público em larga escala deve levar anos.
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Pesquisadores da Expedição 501, entre eles Brandon Dugan, co-chefe científico da missão, transportam amostras para um contêiner refrigerado a bordo da plataforma Liftboat Robert, no Atlântico Norte, em 20 de julho de 2025. — Foto: Carolyn Kaster/AP
O velho marinheiro já avisava
Por que insistir? Em apenas cinco anos, segundo a ONU, a demanda global por água doce deve superar a oferta em 40%. O aumento do nível do mar, causado pelo aquecimento climático, já contamina reservatórios costeiros de água doce, enquanto os data centers que sustentam a inteligência artificial e a computação em nuvem consomem água em ritmo insaciável.

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