“Eu me sinto vista além do diagnóstico”: servidora da Secria relata sua história e destaca inclusão no serviço público
Terapeuta ocupacional, Katiuscia Viana, compartilha sua jornada como mulher autista e mãe de dois filhos com TEA
Por Redação Agência Alagoas
02/04/2026 -
10:25h
Antes de qualquer cargo, Katiuscia Viana é impactada pelas experiências que a constituem. No dia 2 de abril, quando é celebrado o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, sua história ganha ainda mais sentido. Terapeuta ocupacional, servidora pública da Secretaria da Primeira Infância de Alagoas (Secria) e da UNCISAL, mãe de dois filhos diagnosticados com TEA (Transtorno do Espectro Autista) e mulher autista, ela constrói sua trajetória entre o cuidado, o trabalho e as vivências que atravessam o seu cotidiano.
Natural de Arapiraca, Katiuscia, de 49 anos, foi a primeira terapeuta ocupacional formada em Alagoas. Desde o início da carreira, escolheu trabalhar com crianças, especialmente nas áreas de neonatologia, neuropediatria e saúde mental infantojuvenil. Anos depois, a experiência profissional passou a dialogar diretamente com a vida pessoal.
Quando o cuidado também é dentro de casa
A maternidade transformou o percurso de Katiuscia de forma definitiva. Mãe de Davi, de 18 anos, e Daniel, de 17, ela vivencia, no cotidiano, diferentes necessidades de cuidado e acompanhamento.
Davi é um adulto autista, com nível de suporte 3, não verbal, e também tem epilepsia e outras comorbidades. Já Daniel é um adolescente com autismo, nível de suporte 1. As diferentes formas de expressão e necessidades de suporte exigem de Katiuscia uma reorganização constante da rotina, além da busca por conhecimento e estratégias específicas.
Mãe solo desde os 7 meses de vida de seu filho caçula, sem nenhuma rede de apoio no início desse processo, ela precisou conciliar trabalho, deslocamentos e uma rotina intensa de cuidados.
Também enfrentou dificuldades para garantir o acesso à educação inclusiva, mesmo na rede privada, passando por diferentes escolas até encontrar espaços que respeitassem as necessidades dos filhos.

